segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Mais santos e beatos que elogiaram e recomendaram a aparição de La Salette

São João Maria Vianney: “Monsenhor, há poucos sacerdotes em vossa diocese que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”
São João Maria Vianney: “Monsenhor, há poucos sacerdotes em vossa diocese
que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





São João Maria Vianney

O célebre Cura de Ars, São João Maria Vianney (1786-1859), foi ordenado sacerdote na catedral de Grenoble, diocese da maravilhosa aparição. Ele foi acusado pelas maledicências de ser contra La Salette, sofrendo também análogas difamações.

Certa feita Maximin foi-lhe apresentado às pressas, e ocorreu um mal entendido que foi aproveitado contra os dois.

Tendo em vista desfazer essa confusão, Mons. de Bruillard, bispo de Grenoble, enviou carta ao santo sacerdote pedindo que desmentisse as murmurações.

Assim o fez São João Maria Vianney numa resposta onde podemos avaliar toda sua devoção à aparição:

“Ars, 5 de dezembro de 1850

“Monsenhor,

“Tenho uma grande confiança em Nossa Senhora de La Salette. Faço vir água da fonte. Abençoo e distribuo grande quantidade de medalhas e imagens representando esse fato.

“Distribuo pedacinhos da pedra sobre a qual a Santa Virgem teria sentado. Levo um pedaço continuamente comigo e até o fiz colocar num relicário.

São Pedro Julião Eymard: “eu iria pedir a meu bispo, de me consagrar
corpo e alma ao serviço de Nossa Senhora de La Salette”
“Falo muito frequentemente do fato na igreja. Parece-me, Monsenhor, que há poucos sacerdotes em vossa diocese que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”. (Jean Stern, La Salette – Documents authentiques: dossier chronologique intégral, Éditions du Cerf, Paris, vol. 3, 1991, p. 161)

São Pedro Julião Eymard

O ardoroso apóstolo da adoração eucarística, São Pedro Julião Eymard (1811-1868), nasceu em La Mure, cidade que dista 40 quilômetros de La Salette.

Ele foi ordenado sacerdote pelo mesmo Mons. de Bruillard, bispo diocesano que aprovou oficialmente as aparições de La Salette e proibiu também oficialmente que alguém falasse mal delas.

São Pedro Julião Eymard foi testemunha da cura de Marguerita Guillot, que invocara a graça de Nossa Senhora de La Salette.

Ingressou na Sociedade de Maria (maristas) e depois fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento, após peregrinar a La Salette.

Ele conhecia Maximin e foi diretor espiritual da mãe adotiva do vidente. Faleceu em 1º de agosto de 1868, na sua cidade natal. Seu último gesto foi apertar contra o peito uma imagem da aparição.

Ele deixou escrito no livro de visitas do santuário de La Salette:

“Tive a honra de ser o primeiro a proclamar em Lyon o fato milagroso da aparição. E hoje estou feliz por vir beijar com amor e reconhecimento esta terra abençoada, esta montanha da salvação...

“Se eu não fosse marista, iria pedir a meu bispo, como o favor mais insigne, de me consagrar corpo e alma ao serviço de Nossa Senhora de La Salette”.

Vendo a morte se aproximar o Santo quis celebrar sua última Missa no altar de Nossa Senhora de La Salette na capela dos Missionários de La Salette em Grenoble. Cfr.

Venerável Leão Papin-Dupont

Leão Papin-Dupont (1797-1876), aristocrata francês conhecido como “o santo homem de Tours”, promoveu na França cruzadas de reparação das blasfêmias.

Entre elas figura a construção da basílica que custodia o túmulo do padroeiro do país, São Martinho de Tours.

A antiga basílica fora devastada pelos protestantes. Depois a Revolução Francesa a demoliu e fez passar uma rua por cima do túmulo do padroeiro nacional, para garantir que seria esquecido definitivamente.

A Sagrada Congregação para a Causa dos Santos proclamou a heroicidade das virtudes do Venerável Leão Dupont em 21-3-1983.

No decreto, a aparição de La Salette figura como um dos acontecimentos que levaram o Venerável Leão Dupont a crescer em virtude e se engajar no apostolado.

Assim que soube da aparição, o venerável instou o pároco de Corps a lhe enviar mais e mais notícias dela.

“Nossa misericordiosa mãe – escreveu ele – apresentou-se. Ai de nos! Ela encontrará corações mais duros que a pedra de La Salette.

“É o que se precisa temer, quando se conhece onde está o século. Mas é necessário estar certo, ao mesmo tempo, de que grande número de almas vai re-encontrar a luz”. (Jean Stern, La Salette – Documents authentiques: dossier chronologique intégral. Desclée de Brouwer, Paris, 1980, p. 270).

O Venerável Dupont peregrinou a La Salette e voltou tocadíssimo pelo espetáculo de piedade que ali viu.

“Tudo isto é positivo – escreveu a um caro amigo – e dá margem para pensar que, num porvir muito próximo, será dado um grande golpe contra a impiedade”. (Jean Stern, La Salette – Documents authentiques: dossier chronologique intégral. Éditions du Cerf, Paris, 1984, vol. 2, p.112).

Ele promoveu a criação da Arquiconfraria Reparadora da Blasfêmia e da Profanação do Domingo, canonicamente erigida na diocese de Langres.

A associação visava especialmente reparar a Santa Face de Nosso Senhor Jesus Cristo ultrajada, e tirava a inspiração em La Salette.

O Beato Pio IX quis se inscrever ele próprio na arquiconfraria, estimulando sua rápida expansão. Ela chegou a existir em 68 dioceses. Toda a família de Santa Teresinha do Menino Jesus ingressou nela.

São Luís Orione (don Orione) (1872-1940)
Mais santos e beatos

São quase incontáveis os santos, beatos e almas virtuosas que peregrinaram a La Salette ou foram seus devotos.

Entre eles podemos mencionar:

São Luís Orione (don Orione) (1872-1940);

São Leonardo Murialdo (1828-1900);

São Daniel Comboni (1831-1881);

Santa Madalena Sofia Barat (1776-1865);

Santa Maria Eufrásia Pelletier (1796-1868);

Santa Emilia de Rodat (1787-1852);

Beato Jacobo Cusmano (1834-1888);

Beato Antônio Maria Chevrier (1826-1879);

Beato Francisco Spinelli (1853-1913);

Beato Eduardo José Rosaz (1830-1903).


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Fátima: a Misericórdia e a Justiça de Nossa Senhora

Detalhe dos fiéis em Fátima olhando para o Milagre do Sol, em 13 de outubro de 1917
Detalhe dos fiéis em Fátima olhando para o Milagre do Sol, em 13 de outubro de 1917

Marcos Luiz Garcia

escritor, conferencista
e colaborador da ABIM







No dia 13 de setembro comemoram-se os cem anos da quinta aparição de Nossa Senhora.

eve-se ressaltar que nessa quinta aparição compareceram na Cova da Iria entre 15 e 20 mil pessoas.

Isso mostra de um lado como essas aparições se propagaram e, de outro, como Nossa Senhora já agia no fundo das almas visando atraí-las para a sua Mensagem salvadora.

Sempre solícita e procurando comover aqueles corações ávidos de Deus, nessa aparição Nossa Senhora se esmerou em apresentar algo de muito atraente, conforme relata a Irmã Lúcia em suas memórias:

“...o súbito refrescar da atmosfera, o empalidecer do Sol até ao ponto de se verem as estrelas, uma espécie de chuva como que de pétalas irisadas ou flocos de neve que desapareciam antes de pousarem na terra.

“Em particular, foi notado desta vez um globo luminoso que se movia lenta e majestosamente pelo céu, do nascente para o poente e, no fim da aparição, em sentido contrário”.

Portanto, um cenário maravilhoso para relacionar aquela manifestação com o Céu e, certamente, com o Triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Mais uma vez Nossa Senhora pediu-lhes que rezassem o Terço todos os dias para alcançar o fim da guerra, prenunciando assim sua misericórdia com o mundo pela cessação da primeira guerra mundial.

Em seguida, Ela disse: “Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo”.

Era mais um convite estupendo à adesão da humanidade a Ela.

Como não identificar essa aparição de Nossa Senhora como sendo mais uma enorme manifestação de sua misericórdia?

Nela, Nossa Senhora mostrou outro aspecto particularmente materno de sua alma, ao dizer às crianças para mitigarem – não para suspenderem – suas penitências:

“Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda (a qual amarravam apertada em torno da cintura). Trazei-a só durante o dia”.

Mas esse aspecto materno não excluía outro lado de Nossa Senhora que pode desapontar certas almas, que se recusam a ver esta outra faceta da alma da Santíssima Virgem, igualmente admirável: o senso de justiça. Zelosa em comunicar os pedidos das pessoas ali presentes, Lúcia disse:

“Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas, a cura de alguns doentes, de um surdo-mudo.

“– Sim, alguns curarei. Outros não”.

Por que uns sim e outros não? Para certas mentalidades sentimentais, essa atitude de Nossa Senhora é inexplicável. Por que não curar a todos?

Afinal, a bondade de seu Coração Imaculado não impõe que Ela cure a todos? Não estaria Ela “discriminando” as pessoas?

Nossa Senhora não pensa assim. Nem sempre uma cura física (o que mais de pede hoje) é o melhor para certos indivíduos que, uma vez curados, ficariam com muito mais risco de pecar.

Ora, Nossa Senhora abomina o pecado e não faz cambalachos com quem peca. Por isto, o melhor para elas é que a cura não seja dada.

É o amor materno insuperável de Nossa Senhora que faz assim. Tudo o que não seja isso é uma falsa misericórdia, e não um amor autêntico, pois Deus rejeita todo pecado e não pactua com nenhum.

Ora, se Nossa Senhora trata assim os católicos, que são bons ou maus filhos d’Ela, como acreditar que não leve em consideração os pecados e perdoe indiscriminadamente todo mundo de tudo, sem prévio arrependimento nem firme propósito?

Ilusão sentimental e avaliação distorcida da mentalidade de Nossa Senhora e do próprio Deus.

Entre esses católicos sentimentais e relativistas há aqueles que, por exemplo, consideram natural pertencer a outras religiões, mesmo pagãs, fato que não impediria Nossa Senhora de tratar tais pessoas da mesma forma que aos católicos, pois, oh blasfêmia, Nossa Senhora seria “ecumênica”. Nada de mais falso.

O falso ecumenismo de hoje visa fazer Nossa Senhora desaparecer gradualmente até do cenário católico, pois as outras religiões não simpatizam com o papel ímpar d’Ela nos planos de Deus, que são por assim dizer exclusivamente católicos, apostólicos, romanos.

Antes de se retirar para o Céu, Nossa Senhora disse ainda as seguintes palavras:

“Em Outubro farei o milagre para que todos acreditem”.

No entanto, até em altíssimos escalões há muita gente que não leva a sério a Mensagem de Nossa Senhora, mesmo diante do milagre colossal operado diante de 70 mil pessoas, a ser comemorará em outubro!

Que Nossa Senhora tenha pena de nós e dos nossos, e também daqueles que poderiam mudar a face do mundo se levassem a sério a Mensagem de Fátima, mas que preferem desprezá-la, ignorá-la, negá-la.


Vinde Senhora de Fátima, não tardeis mais!

Olhai compassivamente para os vossos filhos, que lutam isolados, perseguidos, mas cheios de Fé e confiança em Vós.



Vídeo: Imagem de Nossa Senhora de Fátima que chorou em Nova Orleans, visitou São Paulo




segunda-feira, 4 de setembro de 2017

São João Bosco e a aparição de La Salette

São Pio X a Mons. Cecchini (bispo que presidiu os funerais de Mélanie): “E nossa santa?”. Foto colorida a posteriori
São Pio X a Mons. Cecchini (bispo que presidiu os funerais de Mélanie):
“E nossa santa?”.
Foto colorida a posteriori
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em posts anteriores tivemos ocasião de apresentar o testemunho de Santos que emitiram pareceres favoráveis à aparição de La Salette e, também da vidente Mélanie.

Entre eles sobressaem pela sua autoridade as atitudes do Beato Papa Pio IX contemporâneo da aparição, e São Pio X Papa de 1903 até 1914.

Veja mais: Opiniões favoráveis dos Papas São Pio X e Beato Pio IX sobre La Salette 

Também dedicamos um post especial ao depoimento de Santo Aníbal de Francia (1851-1927) que foi durante anos diretor espiritual da vidente Mélanie.

Leia mais: Santo Aníbal Di Francia: testemunha excepcional 

Consagramos este e o post subsequente a aprovações e manifestações de simpatia e devoção de outros santos canonizados pela Igreja, ou de almas de reconhecida virtude.

São João Bosco

Don Bosco: (Nossa Senhora) “fez isso para advertir
que a cólera de seu Divino Filho está acesa contra os homens”
São João Bosco (1815-1888) dispensa apresentação. Ele publicou um livro sobre a aparição de La Salette e seu bom efeito sobre os católicos.


Ele recomendou encarecidamente aos leitores levarem a sério as palavras de Nossa Senhora, no livro Aparição da Bem-aventurada Virgem na montanha de La Salette, junto com outros fatos prodigiosos recolhidos pelo sacerdote João Bosco (Apparizione della Beata Vergine sulla montagna di La Salette, con altri fatti prodigiosi raccolti JS pubblici documenti per Sacerdote Giovanni Bosco, 3ª edição, Tipografia e livraria do Oratório de São Francisco de Sales, Turim, 1875):

“Um fato certo e maravilhoso confirmado por milhares de pessoas que, todas elas, podem certificá-lo ainda hoje, é a aparição da Santa Virgem em 19 de setembro de 1846.

“Esta Mãe cheia de amor mostrou-se sob a forma de uma bela dama a duas crianças. [...] Ela revelou-se sobre uma montanha da cadeia dos Alpes, [...] pelo bem da França [...] e do mundo inteiro.

“Fez isso para advertir que a cólera de seu Divino Filho está acesa contra os homens, especialmente por três pecados: a blasfêmia, a profanação do domingo e dos dias de santo de guarda e a transgressão das leis da abstinência.

São João Bosco foi grande propagandista de La Salette
São João Bosco foi grande propagandista de La Salette
Fatos prodigiosos vieram confirmar esta aparição, registrados em documentos públicos ou atestados por pessoas cuja sinceridade e fé excluem toda possibilidade de dúvida sobre o caso.

“Esses fatos são preciosos para confirmar a adesão dos bons à Religião e para refutar aqueles que, talvez por ignorância, pretendem limitar o poder e a misericórdia de Deus, dizendo que já não é mais tempo de milagres.

“Jesus prometeu que na sua Igreja haveria milagres maiores que os que Ele próprio operou.

“Ele não limitou o número nem os tempos em que esses milagres seriam praticados, de maneira que, enquanto existir a Igreja, veremos sempre a mão do Senhor manifestando seu poder, através de fatos prodigiosos (...).

“Mas esses sinais sensíveis da onipotência divina são sempre presságio de fatos graves que manifestam, seja a misericórdia e a bondade de Deus, seja sua justiça e sua indignação.

“Tudo isso sempre para sua maior glória e para o maior bem das almas.

“Procedamos então de maneira que eles sejam para nós uma fonte de graças e bênçãos, contribuindo a excitar em nós uma fé viva, ativa, que nos leve a fazer o bem e a evitar o mal, a fim de nos tornarmos dignos da infinita misericórdia durante o tempo e na eternidade”.


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A Rússia será católica!

Nossa Senhora de Fátima. Fundo: Moscou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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“A Rússia será católica?” não é a interrogação de um sonhador. Em Fátima, Nossa Senhora patenteou predileção por esse país de dimensões imperiais ao dar entender que a instauração de seu Reino na terra teria como prolegômenos a conversão do mundo russo ao catolicismo.

Com efeito, a Providência suscitou grandes almas que consagraram suas vidas à conversão da Rússia dos Czares. Algumas delas abandonaram os erros que erodiam o país e se converteram no século XIX.

Elas intuíram com fé e muito raciocínio que o dia glorioso da conversão da Rússia acabará chegando.

Foi o caso do Pe. Ivan Gagarin, príncipe russo que ingressou na Companhia de Jesus e é autor de um livro que fez sensação em sua época: “A Rússia será católica?” (La Russie sera-t-elle catholique?, Paris, 1856). O professor Roberto de Mattei acaba de lhe dedicar dois substanciosos artigos em seu site “Corrispondenza Romana”.

Dele tiramos as informações para este post, a partir de uma tradução da agência ABIM feita por Helio Dias Viana.

Ivan Sergeevič Gagarin nasceu em Moscou no dia 20 de julho de 1814, de uma casa principesca descendente dos príncipes de Kiev.

Foi adido na legação russa em Munique, e depois na embaixada de Paris, onde amadureceu sua conversão ao catolicismo.

Em 7 de abril de 1842 abjurou a religião ortodoxa e abraçou a fé católica pelas mãos do padre François Xavier de Ravignan (1795-1858), que já obtivera a conversão do conde Šuvalov.

Ivan Gagarin renunciava, aos 28 anos, não só a um brilhante futuro político e diplomático, mas à esperança de poder retornar à sua pátria.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) em 1835,
antes da conversão
Com efeito, na Rússia dos Czares a conversão ao catolicismo constituía um delito comparável à deserção ou ao parricídio.

O abandono da ortodoxia por uma outra religião, ainda que cristã, era punido com a perda de todos os bens, dos direitos civis e dos títulos nobiliárquicos, e podia dar em reclusão perpétua em um mosteiro ou exílio na Sibéria.

O governo russo considerou o príncipe Gagarin como um inimigo a ser eliminado. Ele foi alvo de uma campanha de calúnias organizada pela Chancelaria Imperial.

O Pe. Gagarin publicou o livro La Russie sera-t-elle catholique? em 1856. Nele o sacerdote se refere à solene bula de Bento XIV Allatae sunt, de 26 de julho de 1755, em que o Santo Padre, manifestando “a benevolência com a qual a Sé Apostólica abraça os orientais”,

“ordena que se conservem seus antigos ritos que não se oponham à Religião Católica nem à honestidade; nem se peça aos Cismáticos que retornam à Unidade Católica para que abandonem seus ritos, mas apenas que abjurem a heresia, desejando fortemente que seus diferentes povos sejam conservados, não destruídos, e que todos (para dizer muitas coisas com poucas palavras) sejam Católicos, não latinos”.

Para o jesuíta russo, o cisma ortodoxo é principalmente o resultado do “bizantinismo”, um erro segundo o qual não há distinção entre os dois poderes, o temporal e o espiritual.

A Igreja é de fato subordinada ao Imperador, que a dirige enquanto delegado de Deus no campo eclesiástico e no secular.

Os autocratas russos, como os imperadores bizantinos, veem na Igreja e na religião um meio do qual servir-se para garantir e dilatar a unidade política.

Este calamitoso sistema que vem sendo aplicado hoje por Vladimir Putin se funda em três pilares: a religião ortodoxa, a autocracia e o princípio da nacionalidade, sob cujo signo penetraram na Rússia as ideias de Hegel e dos filósofos alemães.

Tal penetração daria na expansão das ideais comunistas de Marx, e por fim na Revolução bolchevique de Lenine em 1917.

Aquilo que se esconde sob as palavras pomposas de ortodoxia, autocracia e nacionalidade, “não é senão a formulação oriental da ideia revolucionária do século XIX” (p. 74), fruto da Revolução Francesa anticlerical e anticristã, comenta o prof. de Mattei.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta,
foto sem data
Em uma profética página, o padre Gagarin escreve:

“Quanto mais se desce ao fundo das coisas, mais se é levado a concluir que a única luta verdadeira é entre o Catolicismo e a Revolução.

Quando em 1848 o vulcão revolucionário aterrorizava o mundo com seus rugidos e fazia tremer a sociedade abalada em seus fundamentos, o partido que se dedicou a defender a ordem social e a combater a Revolução não hesitou em inscrever em sua bandeira Religião, Propriedade, Família.

“Ele não hesitou em enviar um exército para restabelecer em sua sede o Vigário de Jesus Cristo, que a Revolução havia forçado a tomar o caminho do exílio.

Esse partido tinha perfeitamente razão; está-se em presença de apenas dois princípios: o princípio revolucionário, que é essencialmente anticatólico, e o princípio católico, que é essencialmente contra-revolucionário.

“Apesar de todas as aparências contrárias, só há no mundo dois partidos e duas bandeiras.

De um lado, a Igreja Católica arvora o estandarte da cruz, que contém o verdadeiro progresso, a verdadeira civilização e a verdadeira liberdade; de outro, apresenta-se a bandeira revolucionária, em torno da qual se agrupa a coalizão de todos os inimigos da Igreja.

“Ora, o que faz a Rússia? De um lado, combate a Revolução; de outro, combate a Igreja Católica. Tanto externa quanto internamente, encontrareis a mesma contradição. (...)

“E se ela quiser ser coerente consigo mesma, se quiser francamente combater a Revolução, tem apenas um partido a tomar: colocar-se sob o estandarte católico e reconciliar-se com a Santa Sé” (La Russie sera-t-elle catholique?, Charles Douniol, Paris 1856, pp. 63-65).

A Rússia não atendeu ao apelo do príncipe sacerdote, comenta o prof. de Mattei. A Revolução bolchevique, após ter exterminado os Romanov, difundiu seus erros no mundo.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta
Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta
A cultura abortista e homossexual, que hoje conduz o Ocidente à morte, tem suas raízes na filosofia hegeliano-marxista que triunfou na Rússia em 1917.

A derrota dos erros revolucionários não poderá ser ultimada, na Rússia e no mundo, senão sob os estandartes da Igreja Católica.

As ideias do padre Gagarin inspiraram o barão alemão August von Haxthausen (1792-1866), que com o apoio dos bispos de Münster e de Paderborn fundou uma Liga de orações denominada Petrusverein (União de São Pedro) pela conversão da Rússia.

Associação análoga, sob o impulso dos padres barnabitas Šuvalov e Tondini, nasceu na Itália e na França. Aos inscritos nessas associações recomendava-se rezar em todos os primeiros sábados do mês pela conversão da Rússia.

Em 30 de abril de 1872, Pio IX concedeu com um Breve indulgência plenária a todos aqueles que, tendo confessado e comungado, assistissem no primeiro sábado do mês à Missa celebrada pelo retorno da Igreja Greco-russa à unidade católica.

Nossa Senhora aprovou certamente essa devoção, pois em Fátima, em 1917, Ela recomendou a prática reparadora dos primeiros cinco sábados do mês como instrumento da instauração de seu Reino, na Rússia e no mundo, conclui Roberto de Mattei.


(Autor: Roberto de Mattei, “Corrispondenza romana”, 8-6-2017. Matéria traduzida do original italiano na ABIM por Hélio Dias Viana).


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

D. Gemma: o demônio entra nas almas e nas sociedades
pela porta do laicismo

Mons Andrea Gemma, bispo emérito de Isernia-Venafro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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sócio do IPCO,
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Continuamos com a recensão do livro "Eu, bispo exorcista" de Mons. Andrea Gemma.

Como observamos no primeiro post, D. Andrea Gemma, hoje bispo emérito, escreveu o livro quando estava à testa da diocese de Isernia-Venafro, narrando suas experiêncas na prática do exorcismo.

Dom Andrea Gemma deixou a diocese a seu sucessor em 2007, quando atingiu o limite de idade fixado pelo Direito Canônico.

No livro, o bispo confirma a espantosa influência que tem no mundo moderno e no andamento da sociedade humana o príncipe das trevas e o poder vitorioso do exorcismo sobre ele.

Ele fornece uma atualizada confirmação de quanto o bem-aventurado Pe. Francisco Palau y Quer O.C.D. denunciou ao respeito.
A Igreja em crise não usa as suas armas

O bispo procurou inspiração nos textos do Vaticano II, e eis as suas conclusões:

“Ide e folheai todos os documentos do Concílio Vaticano II, [...]

“verificai se se fala, e quantas vezes, do demônio e das suas obras. Sabeis que naqueles dezesseis documentos, pensados e ponderados, não existe sequer a palavra inferno, nem a palavra ‘demônio’?

“Incrível, mas verdadeiro, basta ir verificar...” (p. 88).

Ele debruçou-se sobre os textos litúrgicos antigos e novos. E ficou estupefato:

“Sempre lamentei que na reforma da Missa se tenha tirado aquela oração a São Miguel [Exorcismo Breve], que Leão XIII, não sem inspiração do alto, quis que fosse recitada no fim de cada celebração.

“Muitas vezes o demônio, pela voz dos possessos, fez saber que gostou muitíssimo dessa abolição! [...]

“O que é que sugeriu e sugere evitar-se o mais possível, nos textos litúrgicos, a menção a Satanás, às suas nefastas intervenções, às consequências da sua ação destrutiva?

“Quem possa, que me responda. E com argumentos válidos, por favor. [...]

“Hoje a obra assassina do demônio é mais evidente do que nunca [...]. Então, não somente não era o caso de expurgar as fórmulas deprecatórias e imprecatórias, mas sim de multiplicá-las e reforçá-las.

“Porém, infelizmente não foi assim” (p. 27).

O ambiente laicizado hodierno: vitória do demônio

D. Andrea reparou que os históricos dos que padecem malefícios e o dos possessos eram muito parecidos.

É imensa, diz ele, a quantidade de ocasiões que o contexto atual oferece às serpentes infernais para se apossarem das suas vítimas.

“A maior vitória do diabo consiste em convencer os homens de que ele não existe”.

Esta verdade indiscutível levou o prelado à conclusão de que o ambiente moderno serve de luva ideal para as garras infernais.

Laicismo e materialismo abrem as portas da possessão
A todo momento, esse ambiente sugere que não há Deus nem demônio, nem Céu nem inferno. 

E os espíritos malignos atacam e invadem os corpos das suas vítimas de inúmeras formas.

Há cultos satânicos explícitos.

Mas também implícitos, como certas técnicas de meditação e algumas terapias alternativas, superstições, jogos, sites Internet ou modas tipo Nova Era ou músicas tipo rock and roll.

Como é que a humanidade gerou esse ambiente enganosamente neutro e materialista, porém tão útil para os espíritos das trevas?

A Revolução gera ambiente propício à ação diabólica

D. Andrea dá uma elucidativa explicação histórica. Ela se aproxima muito da denúncia do processo revolucionário que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira formula na sua obra magistral Revolução e Contra-Revolução.

Não descartamos que o culto bispo italiano tenha tirado dela alguma inspiração:

“A laicização da nossa sociedade é o fruto de um longo e complexo processo que durou cerca de cinco séculos, e que se desenvolveu em três etapas fundamentais, três revoluções no campo cultural e social, mas com lances também cruentos, que levaram à gradual transformação do mundo antigo, tradicional, para dar na sociedade atual, pós-moderna e secularizada”.

D. Andrea descreve essas sucessivas revoluções: primeiro a revolução protestante, que causou um grande desgarramento da sociedade cristã medieval; segundo o Iluminismo e a Revolução Francesa; terceiro a Revolução comunista marxista.

Por fim, acrescenta, uma quarta etapa ou Revolução: a do movimento estudantil dos anos 60, que contestou a família, generalizou o uso da droga, propugnou a libertação dos vínculos morais, e sobretudo revoltou-se contra toda autoridade.

Esse processo gerou uma sociedade e uma cultura que tendencialmente seduzem os homens para a ideia de que Deus e a religião são coisas absurdas (pp. 113 ss).

Há os que se deixam levar por essa influência, ensina D. Andrea. Mas há também os que reagem de um modo exasperado e caem no exagero oposto: as novas e enganosas formas de religiosidade.

Todo esses são fáceis presas de Lúcifer.

Armas para derrotar os demônios

D. Andrea exorta os fiéis a recorrerem às armas que vencem o demônio: a Fé, os Livros Sagrados, o jejum, os sacramentos.

E, sobretudo, a oração por meio de Nossa Senhora, a “inimiga eterna de Satanás” (p. 16).

Dom Andrea no Vaticano
Entre as orações específicas, ele recomenda a renúncia formal a Satanás, como se faz na renovação das promessas do batismo, e o exorcismo breve:

“São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate; cobri-nos com vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos, e vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém” (p. 17).

E recomenda também não se deixar seduzir pelo ambiente revolucionário hodierno nem pelas falsas novidades nas formas de religiosidade — inclusive no âmbito católico —, que tanto e tão bem servem de ocasião para os malefícios e possessões por parte do pai da mentira.

Com essas cautelas e armas espirituais, o católico resistirá e sairá vitorioso, confiando sempre na promessa divina: “As portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16,18).


Vídeo: Dom Andrea Gemma fala sobre o exorcismo (em italiano)
Bispo emérito da diocese de Isernia-Venafro, único bispo exorcista que fica na Itália. (Em italiano)




Nossa Senhora destrói o pacto assinado pelo monge Teófilo com o demônio




















segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Bispo descreve experiências exorcizando demônios

Mons Andrea Gemma, bispo de Isernia-Venafro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs




Em diversos posts reproduzimos o pensamento do Bem-aventurado Pe. Francisco Palau y Quer O.C.D. a respeito da influência do demônio em nossos dias. CONFIRA

Vendo-a descrita como sendo tão grande, poderia se achar que o santo autor foi levado pelo seu fervor e pelo seu temperamento espanhol.

Não teria ele exagerado com boas intenções didáticas ou de oratória?

Para atender à questão, achamos oportuno apresentar o livro “Eu, bispo exorcista”, de Mons. Andrea Gemma, bispo emérito, de Isernia-Venafro, Itália.

Nele o bispo descreve suas experiências de exorcista e as surpreendentes conclusões a que foi levado durante uma década de prática do Exorcistado

(D. Andrea Gemma, “Io, vescovo esorcista” (“Eu, bispo exorcista”), Editora Mondadori, Milão, 2002, 208 pp. Todas as citações do post são extraídas desse livro. Não sabemos se o livro foi vertido ao português)

D. Andrea Gemma escreveu o livro quando estava à testa da diocese de Isernia-Venafro, narrando suas experiências na prática do exorcismo.

Ele deixou a diocese a seu sucessor em 2007, quando atingiu o limite de idade fixado pelo Direito Canônico.

Na manhã de 29 de junho de 1992, o novo bispo de Isernia-Venafro, D. Andrea Gemma, saía da Basílica Vaticana, olhando pensativo para a Praça de São Pedro.

As palavras de São Mateus, ”as portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16,18), ecoavam em seu espírito com um atrativo sobrenatural. E lhe inspiravam graves considerações:

1) a ação do demônio não só não diminuiu, mas multiplicou-se;

2) o demônio é consciente de que dispõe de pouco tempo;

3) Nosso Senhor Jesus Cristo deu à Igreja enorme poder contra Satanás;

4) para não ser derrotado, o demônio faz tudo para agir no silêncio;

5) chegou o momento de desmascarar a ação insidiosa de Lúcifer e enfrentá-lo de viseira erguida, com as armas de que a Igreja dispõe. (pp. 11-12).

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Como será o Anticristo?

O Anticristo recebe as instruções de Lúcifer. Luca Signorelli (1445 - 1523), basílica de Orvieto, Itália
O Anticristo recebe as instruções de Lúcifer.
Luca Signorelli (1445 - 1523), basílica de Orvieto, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: Beato carmelita: a convergência ecumênica favorece o ambiente para a ditatorial religião universal do Anticristo





Em todas as considerações sobre eventos futuros, o Beato Palau amava as verdades vistas de frente, solidamente ancoradas, respeitando as anfractuosidades da vida concreta, por mais duras ou complicadas que fossem.

Ele analisava as hipóteses ponderada e minuciosamente, prestes em tudo a corrigir o que fosse necessário para fazer reluzir melhor a verdade.

Ele sabia objetar contra seus próprios raciocínios e fazia seu o melhor dos contra-argumentos.

Nada de mais contrário a ele do que as simplificações fáceis ou os panoramas alegremente descolados da realidade ou do razoável.

Por isso mesmo abordava os assuntos mais delicados e complexos, que pedem a mais cautelosa e matizada resposta.

Entre esses temas complicados ele incluía o saber discernir de modo prudente, mas preciso, o perfil do Anticristo, para o qual a Revolução prepara os caminhos.

Seus escritos refletem a diversidade de opiniões existentes sobre o assunto entre os melhores intérpretes tradicionais das Escrituras.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Beato carmelita: convergência ecumênica
prepara a religião universal do Anticristo

Para o santo e clarividente carmelita, uma confusão imprudente entre as religiões, favorece o ambiente para o Anticristo instaurar sua ditatorial religião universal. Foto: encontro ecumênico de Assis, em 27 de outubro de 1986
Para o santo e clarividente carmelita, uma confusão imprudente entre as religiões,
favorece o ambiente para o Anticristo instaurar sua ditatorial religião universal.
Foto: encontro ecumênico de Assis, em 27 de outubro de 1986
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: A marcha alucinada do mundo e a rede de intercomunicação global





O império ou república universal planetária, que o bem-aventurado Palau via se formar segundo planos luciferinos anticristãos, deverá ter como consequência e pilar fundamental o afloramento de uma religião universal.

Há hoje um ecumenismo imprudente que parece caminhar para esse fim.

“Oficialmente não haverá outra religião senão a do Estado. Um só Deus, uma só religião.

“E esse Deus será o Anticristo, e essa religião, a anticristã”, escreveu (“Incendio de barracas en Barcelona”, El Ermitaño Nº 170, 8-2-1872).

Nela deverão se amalgamar todas as crenças, numa convergência caótica favorecida e até estimulada pelas transformações globalizantes que acontecerão na esfera temporal.

Tudo isso sem muitas preocupações pela verdade ou pelo erro, pelo que é moral ou imoral, no ambiente consagrado pela expressão “ditadura do relativismo”.

Mas, previa o B. Palau, essa confluência de todos com todos não trará a verdadeira paz.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A intercomunicação global e a marcha alucinada do mundo
apressam o reino do Anticristo

Triunfo da morte, detalhe. Pieter Bruegel  (1525-1530 — 1569) Museo del Prado, Madri.
Triunfo da morte, detalhe. Prefigura da marcha enlouquecida da Revolução.
Pieter Bruegel  (1525-1530 — 1569) Museo del Prado, Madri.
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Os “sacramentos” da Revolução e a possessão diabólica



O Beato Palau via a Revolução avançando como um bólido descontrolado, impedido de se deter:

“o império do mal pegou velocidade, e corre com tanta maior rapidez quanto maior é o crime que pesa sobre ele, tendo-lhe ficado impossível se deter.

“Na sua corrida, quebra, esmaga, destrói, esfrangalha, vence todos os obstáculos que lhe opomos para fazer que retroceda.

“Progresso! Para frente! Progresso! Bradam seus condutores” (“Faraón y el Anticristo”, El Ermitaño, Nº 77, 28-4-1870).

O B. Palau não tinha ilusões. Se o mundo encharcado de orgulho e sensualidade não se convertesse, a catástrofe prefigurada pelo desastre do trem de Gerona tornar-se-ia espantosa realidade.

Quando sucederia isso?

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Os “sacramentos” da Revolução e a possessão diabólica

O Beato Palau sofreu atroz perseguição das forças das trevas, angélicas e humanas
O Beato Palau sofreu atroz perseguição
das forças das trevas, angélicas e humanas.
Teve larga experiência pastoral com as possessões
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: “Sacerdotes” da Revolução anticristã promovem o retorno ao paganismo



O bem-aventurado Palau considerava que assim como os verdadeiros sacerdotes de Nosso Senhor Jesus Cristo distribuem os Sacramentos, os verdadeiros chefes e altos ministros da Revolução recorrem às artes mágicas numa forma e dimensão insuspeitada.

Suas manobras políticas ou sociais embutem bruxedos que funcionam como anti-“sacramentos” revolucionários, portadores de uma influência de Satanás.

O Ritual Romano (Rituale Romanum, Titulus XI, caput I, De exorcizandis obsessis a daemonio, n. 20, Desclée et socii, Romae-Tornaci-Parisiis, 1926, p. 446) adverte que nos casos de malefícios, possessões e práticas mágicas, o mago ou a feiticeira manda entregar à vítima algum fetiche ou objeto embruxado.

A esse objeto está unida tal o qual influência diabólica. Certos chefes revolucionários que estão em contato com os demônios recorrem a práticas análogas.

Mas eles não se servem de feitiços vulgares. Em lugar disso, a influência diabólica está ligada a leis ou normas anticristãs ou antinaturais.

Isso não é de espantar. Por exemplo, em nossos dias, Lucien Greaves, porta-voz do grupo Satanic Temple dos EUA, reivindicou o “casamento” homossexual como um “sacramento” da religião diabólica, segundo informou o site LifeSiteNews.

Assim explicava o bem-aventurado Palau:

segunda-feira, 10 de julho de 2017

“Sacerdotes” da Revolução anticristã
hoje promovem o retorno ao paganismo

Na reunião da quase totalidade dos chefes de governo do mundo na Rio+20 (2012)
cerimônias esotéricas para atrair "energias escuras" sobre os políticos reunidos
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: A Revolução é a revolta atual do demônio contra a Igreja e a Cristandade



Na medida em que a Revolução demole os restos da civilização cristã, ela vai afundando o mundo nas águas estancadas e fétidas de um novo paganismo, pior que o da Antiguidade ou dos povos mais decadentes:

“Dominados os reis, as massas do povo indo atrás de seus governos, resulta que neste mundo político material visível voltou a se constituir o paganismo antigo, embora acomodado em sua forma à especialíssima situação da época” (“Relaciones entre los espíritus y el hombre”, El Ermitaño, Nº 117, 2-2-1871).

Essas afirmações podiam parecer ousadas no século XIX, que avançava alegremente deslumbrado pelo progresso das invenções. Mas ainda não se proclamava abertamente o culto de Gaia – a deusa terra dos ecologistas.

Tampouco se generalizavam, como agora, os sombrios cultos pagãos do Oriente – budismo, hinduísmo etc. – nem as práticas e crenças supersticiosas ou fetichistas de tribos africanas ou americanas sob o rótulo de uma Nova Era.

E os arraiais “católicos-progressistas”, missionários comuno-tribalistas ou carismáticos, não andavam em busca de “novas formas” de oração ou energias vindas das profundezas, ou nas tribos mais primitivas da Amazônia!

Para o Pe. Palau, adotar os decadentes cultos pagãos representa uma apostasia radical do doce jugo de Nosso Senhor Jesus Cristo. E o bem-aventurado comparava essa deserção de massa a um novo deicídio executado na pessoa da Igreja:

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Beato Palau: ver a Revolução para entender o que está acontecendo

Luis Dufaur
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Beato Francisco Palau y Quer O.C.D. (1811-1872)
Beato Francisco Palau y Quer O.C.D. (1811-1872)
Nota biográfica do Beato Francisco Palau O.C.D.

O bem-aventurado Francisco Palau y Quer O.C.D. nasceu no dia 20 de dezembro de 1811 em Aytona, na província espanhola de Lérida, e faleceu em 20 de março de 1872 socorrendo as vítimas de uma epidemia em Tarragona, Espanha.

Fundou em Barcelona a “Escola da Virtude”, modelo de ensino catequético, e em 1860-61 as congregações de irmãos e irmãs carmelitanas terceiras, que deram origem às congregações de Carmelitas Missionárias Teresianas e às Carmelitas Missionárias.

Pregou missões populares e difundiu a devoção a Nossa Senhora. Foi beatificado em 24 de abril de 1988. Sua festa litúrgica se celebra em 7 de novembro.

O Beato Palau professou seus votos na Ordem do Carmo em 15 de novembro de 1833, tempo de perseguição religiosa.

Em 25 de julho de 1835 as turbas republicanas, socialistas e comunistas incendiaram as casas religiosas, inclusive o convento do Beato. Ele se exilou numa gruta em Aytona conhecida como Cueva del Padre Palau que hoje é santuário mariano objeto de romarias.

Após novas convulsões, ele foi constrangido ao exílio na França, onde residiu por onze anos, até 1851, numa gruta perto do santuário de Notre Dame du Livron. Sua fama de santidade e os milagres que o povo lhe atribuía, atraiu a inimizade do clero local que se sentia “diminuído” por um religioso estrangeiro.

Voltou à Espanha em 13 de abril de 1851. Nomeado diretor espiritual do seminário diocesano de Barcelona, ele organizou a “Escola da Virtude” nos bairros operários.

O extraordinário sucesso da Escola para tirar o povo da influência revolucionária anticristã motivou arruaças socialistas e comunistas.

O governo liberal desterrou então o Beato Palau para a ilha de Ibiza, onde residiu durante seis anos e fundou um eremitério consagrado a Nossa Senhora do Carmo, primeiro santuário mariano da ilha.

Autor de vários livros, no fim de sua vida criou e foi o principal redator do semanário literário, político e religioso “El Ermitaño”, onde publicou suas reflexões sobre o presente e o futuro da Igreja e da humanidade.

Seus escritos se destacam pelas luzes proféticas. Sua linguagem utiliza muitas figuras e símbolos.

No fim de vida o Beato fez muitos exorcismos e pediu ao Papa Pio IX uma mobilização em massa do clero para exorcizar os demônios que possuem o mundo. Enviou ao Concilio Vaticano I uma raciocinada petição sobre o tema.

Em “El Ermitaño” o Beato Palau via os problemas religiosos, políticos, sociais, econômicos – e até os tecnológicos – como fazendo parte de um só e imenso movimento que, animado por Lúcifer e seus sequazes, procurava derrubar a Igreja Católica e a ordem social cristã.

Arguto e intenso analista das informações que chegavam a Barcelona através de jornais e telégrafos, ele teceu panoramas inspirados pela Fé e pela teologia nos quais é difícil recusar a inspiração profética.

O bem-aventurado Palau julgava que o conhecimento da Revolução, de sua existência, suas metas, seus métodos e agentes, é a chave para decifrar o aparentemente tão caótico acontecer moderno.

Ele dizia que se não se considerasse a realidade à luz dela, perder-se-ia a noção do que se está dando em torno de nós.

Mas seus contemporâneos mal viam a Revolução. Esta tinha cegado suas vítimas, estava se apossando dos poderes temporais e espirituais e imprimia o rumo dos fatos na terra. Explicava ele:

“o miserável mortal não vê (...) que há uma combinação para o mal, (...) sustentada e defendida por todos os poderosos da terra, animados, dirigidos e ordenados sob as ordens de um só príncipe, que é o diabo.

“Não vê esse anjo revolucionário que, executando um plano coerente que vai percorrendo os séculos, conseguiu fazer-se coroar com a glória e o poder de todos os reis do mundo civilizado” (“El reino de Satán sobre la tierra”, El Ermitaño, Nº 32, 10-6-1869).

O bem-aventurado deplorava que as boas iniciativas sofressem frustrações uma após outra. A causa disso radicava em que os seguidores das causas justas não atinavam para a unidade e a universalidade da Revolução:

“O que é a revolução da Espanha? – Um chifre, uma coroa sobre uma das sete cabeças do dragão infernal, essa cabeça se tornou visível nos atos de demolição e destruição de toda a ordem social; (...)

“essa cabeça vai formando um mesmo corpo de delito com as demais nações, formando em todas elas uma maldade única, um exército único, um só dragão, uma coisa só, e essa unidade e sustentada pelo príncipe tenebroso” (id. ibid).

“Se a revolução da Espanha é olhada segundo os cálculos da política, seu triunfo não tem explicação. Se julgamos com as leis da prudência humana aquilo que noticia a imprensa, tudo aparece tenebroso, incerto e movediço.

“Porém, se consideramos que a Revolução está combinada desde séculos passados com a da Itália, com a da França, com a dos protestantes, (...) nossos juízos e cálculos serão mais acertados e proveitosos” (“España: la esperanza de los católicos”, El Ermitaño, Nº 10, 7-1-1869).

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Beato Palau: a Revolução é a revolta atual do demônio
contra a Igreja e a Cristandade

A Revolução é o assalto de Satanás contra a Igreja e a Cristandade
A Revolução é o assalto de Satanás contra a Igreja e a Cristandade
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Beato Palau: ver a Revolução para entender o que está acontecendo



Retrospectivamente, o Beato Palau identificava quatro grandes ofensivas históricas sucessivas perpetradas pelo inferno contra a Igreja e a Civilização Cristã, visando erradicar os efeitos abençoados da Redenção.

1. A primeira consistiu no islamismo. Por meio dele, o inimigo da humanidade conseguiu arrebatar da Igreja a Terra Santa e enormes extensões cristianizadas da Ásia e da África.

Essa ofensiva continua, mas como não conseguiu completar sua meta na História por meio dela, o demônio desencadeou uma ofensiva diversa.

2. A segunda grande ofensiva foram os cismas – principalmente o grego –, que desgarraram da Igreja colossais setores da Cristandade outrora pertencentes ao império greco-bizantino com sede em Constantinopla e a totalidade da Rússia.

Salvo gloriosas exceções, o Oriente evangelizado sucumbiu aos assaltos. Porém ainda ficava o Ocidente.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Incêndios em Portugal: quando a Mãe é ofendida,
como reagirá o Filho?

Luis Dufaur
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No centenário das Aparições em que Nossa Senhora de Fátima advertiu os homens para abandonarem a imoralidade, estamos assistindo a fatos assustadores e inimaginados.

Que ano poderia ser mais propício para a hierarquia católica retomar com fervor e clareza a pregação moral católica, alicerçada nas palavras de Nossa Senhora em Fátima?

A moral familiar, por exemplo, tão necessitada de uma restauração. Essa só poderá vir com um auxílio sobrenatural, com a frequentação dos sacramentos, com a recitação do Terço e a prática das devoções tradicionais.

E o comunismo, a tintura-mãe de todas as formas da imoralidade? Ele continua sendo espalhado desde a Rússia, mas também pelos agentes da Revolução Cultural, amigos da “nova-Rússia”, instalados em muitos governos do Ocidente!

Nada! Nada digno de destaque está sendo feito face à grave decadência moral que devasta o mundo.

S.S.Francisco I foi a Fátima, canonizou os santos pastorinhos Jacinta e Francisco. Mas o apelo à conversão pedido em Fátima e que desejávamos ouvir do Santo Padre com o vigor com que o Beato Urbano II convocou as Cruzadas, não veio.

Fez-se um impressionante silêncio.

Silêncio? Só silêncio?

Multiplicam-se as blasfêmias e atentados sacrílegos. O inferno já nada respeita.